DISCO DA SEMANA – DOIS / Legião Urbana

Em 1986, o Brasil receberia um lançamento histórico. Estou falando do álbum Dois, da emblemática Legião Urbana, com certeza uma das bandas mais ouvidas, queridas e odiadas do País.

Como o próprio título do LP diz, Dois é o segundo lançamento de uma vasta discografia que viria posteriormente. Ele veio à reboque do primeiro, Legião Urbana, que conquistou o público com músicas como “Será”, “Ainda é cedo”, “Geração Coca-Cola” e a romântica “Teorema”.

Dois era para sair como disco duplo, e se chamaria “Mitologia e Intuição”, mas como era de se esperar, a gravadora não acreditou na idéia de lançar um disco duplo de uma banda recém lançada no mercado brasileiro, ainda que com grande sucesso. Além disso, outros grupos surgia no cenário do Rock Brasil, como “Kid abelha e os abóboras selvagens” e “Engenheiros do Hawaii”, que gravavam seus primeiros LPs.

Mesmo assim, o álbum Dois emplacou nas paradas de sucesso da época, e entrou para a história como o álbum mais vendido da Legião, com a marca de mais ou menos 1 milhão e 200 mil cópias. Também figurou na lista dos “Cem melhores discos da música brasileira” na revista “Rolling Stones”, alcançando a 21ª posição.

Entre suas músicas, talvez as que mais lembrem o disco é a inesquecível “Eduardo e Mônica” e a enigmática: “Índios”, um dos hinos da banda a partir de então.

Prestem atenção que no início da música ouve-se algo parecido com um rádio mal sintonizado tocando um trecho da música “Será” (talvez tentando mostrar ao público a ligação entre esse e o primeiro trabalho do grupo. Também identificando a banda). E dá pra perceber, também, alguns trechos do hino da “Internacional Socialista”, demonstrando a sua posição política de esquerda.

Este, com certeza é um daqueles discos que, além de sua qualidade poética e sonora, tem um tipo de poder subjetivo que nos faz voltar algum tempo na história. Talvez por ser um disco extremamente introspectivo, que mostrou pela primeira vez o sentimentalismo e as angústias do Renato Russo.

Visualmente o disco é bem simples (quase ao extremo). Todo em cor de bronze, escrito apenas “Legião Urbana” em vermelho e “Dois” em alto- relevo.

A contra-capa não tem quase nada. Apenas os nomes dos “Legionários”. Um disco pelado!.Mas de muito bom gosto.

No encarte interno o de praxe; fotos, dados técnicos e aí sim, a relação da músicas. Tem também um aviso: “Escute no volume máximo!”

O LP da Legião Urbana se diferenciava da maior parte dos lançamentos do gênero na época, porque não apresentava músicas com refrões fáceis, grudentos, daqueles que ficam martelando a cachopa…

As músicas eram longas demais para tocar nas rádios, as letras eram difíceis e os títulos, muitas vezes, não tinham muito a ver com as letras. É o caso de índios, por exemplo.

Mesmo assim, o disco foi à linguagem da juventude oitentista. Renato e seus comparsas conseguiram unir, neste disco, letras ricas e bem articuladas com ótimos arranjos na sonoridade marcante da Legião.

Em entrevista (ao programa Antropophagia), Renato Russo disse que o material do disco Dois era para ter base acústica, com coisas feitas entre o “Aborto Elétrico” (antiga banda de Renato e Dinho ouro Preto) e a Legião. Mas durante o projeto tiveram que redefinir o disco por motivos não esclarecidos.

Para Renato, este disco teria um fio condutor, uma idéia central. Com muita coisa de amor mas, também, com muita discussão político-social sob uma ótica individualizada, mais emocional. Um disco com idéias gerais.

Resumindo, disse ele: o disco queria mostrar o ponto comum que une a todos. A incerteza.

Sobre algumas músicas…

Andréa Doria é a referência a um navio italiano que naufragou em 1956, ao se chocar com outra embarcação quando rumava para Nova York, deixando saldo de 51 mortos e várias obras de arte italianas desaparecidas.

Fábrica ganhou anos depois, uma versão em espanhol, gravada pela banda Argentina “Attak 77”.

O lado B do vinil Dois, que apresenta um som um pouco mais pesado (mas não tanto quanto o Lp de 87)

Abrimos com “Metrópole”, seguimos de “Plantas embaixo do aquário” e depois com a “Música Urbana”, com Renato Russo ao estilo Lou Reed.

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