Novo Selo brasileiro lançando em vinil

Que o bom e romântico disco de vinil está de volta – e não é de hoje – muita gente já sabe. A carioca Polysom voltou a fabricar LPs e soltou diversas pérolas da música brasileira no mercado. A novidade é que agora algumas obras de arte estão sendo recuperadas no Grande ABC. Objeto de desejo de colecionadores e de
quem busca fidelidade na reprodução do som, a ‘bolacha’ agora ganha produção com selo de São Bernardo, a Vale Verde Records.

projeto pairou na cabeça de Cleiton Rai Ferreira em 2008, quando se deu conta de que diversos discos brasileiros estavam sendo relançados em LP por empresas do Exterior e sendo vendidos depois por preços altos. “Pensei: Por que estamos mandando nossos discos para fora? Isso retorna a preços astronômicos”, conta
Cleiton.

Mas o projeto só ganhou vida realmente em 2011, quando conheceu a norte-americana Liza Nicoll, outra apaixonada por música brasileira. “Conversamos a respeito e apostamos na ideia. Assim surgiu em setembro de 2011 a Vale Verde Records.”

Da fornada do novo selo já saíram três compactos em vinil. Os de estreia foram das bandas A Bolha, homônimo, gravado originalmente em 1971, e ‘Despertar dos Mágicos’ do grupo Loyce e os Gnomos (R$ 25 em média), lançado ainda em 1969. Ambos tiveram na reedição tiragem de 500 cópias e as artes e rótulos reproduzidos fielmente aos originais. Os discos podem ser comprados pelo site oficial (www.valeverderecords.com).

A mais nova empreitada da dupla é referente ao artista paraibano radicado em São Paulo Jarbas Mariz. Seu cultuado e psicodélico álbum de quatro canções ‘Transas do Futuro’ (R$ 25 em média), de 1977, volta finalmente ao mercado e também ganha 500 novas cópias, além de encarte inédito com texto assinado pelo músico.

“Foi minha primeira experiência como artista solo. Nunca imaginei que depois de 35 anos esse disco fosse reaparecer no cenário da música brasileira”, conta Mariz, que há anos toca ao lado de Tom Zé. “Eu enfiava os discos debaixo do braço e vendia”, relembra.

Emocionado e animado, Mariz mal acreditava no que via enquanto segurava a nova edição de ‘Transas do Futuro’ nas mãos. Bastaram alguns segundos para se lembrar de diversas histórias. “A gente era chamado de Pink Floyd da caatinga”, brinca.

Outra boa novidade comemorada por Mariz é que o tão procurado LP ‘Paêbiru’, de Lula Côrtes e Zé Ramalho – primo de Mariz -, do qual participou, finalmente ressurgiu das cinzas através do selo britânico Mr.Bongo. Poucas cópias sobraram depois que uma enchente assolou Recife e detonou a gravadora e as cópias do álbum.

Cleiton conta que seu trabalho ao lado de Liza é de pesquisa. “Quando procuramos o Loyce, de Loyce e os Gnomos, entramos em contato com a filha dele. Ela simplesmente desconhecia a existência do compacto. Ficou emocionada, nem acreditava que era o pai que estava cantando”.

A próxima tacada da dupla é o compacto ‘Os da Bahia’, gravado pelos irmãos Jorginho e Pepeu Gomes. “Eles ficaram muito contentes de estarmos resgatando esse trabalho. Não consta em sua discografia. ” O trabalho de Liza e Cleiton não deve se resumir aos compactos. A dupla já tem contratos fechados para lançar LPs.

PREÇOS

Os compactos da Vale Verde chegam a um mercado inflacionado. Os LPs novos costumam custar R$ 70, em média. Já os toca-discos, que voltaram a ser comercializados nas grandes redes, têm preços que vão de R$ 270 a R$ 7.000, dependendo da marca.

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